
Pesquisa apontou percepção de viés de esquerda na GloboNews
A saída de Eliane Cantanhêde e Daniela Lima da GloboNews, anunciadas nos últimos dias, aconteceu após a direção de Jornalismo receber os resultados de uma pesquisa qualitativa que revelou desconforto de parte do público com a linha editorial da emissora. A revelação foi da coluna Outro Canal, da Folha de S. Paulo.
Direita chama empresa de “Globolixo”
O levantamento foi encomendado pela cúpula da GloboNews ao instituto Quaest, com entrevistas realizadas ao longo do segundo trimestre. Segundo fontes da emissora, o estudo mostrou que muitos assinantes enxergam o canal como “alinhado à esquerda”, com posicionamento próximo ao de partidos como PT e PSOL.
Entretanto, não é segredo para ninguém que bolsonaristas e a maior parte da direita define o jornalismo da empresa como “Globolixo”, independente de quem esteja à frente das notícias.
GloboNews lidera audiência entre canais de notícias
Outro dado ignorado pela pesquisa foi a audiência. A GloboNews é o canal de notícias por assinatura mais assistido no Brasil com 0,13 ponto na média diária, equivalente a cerca de 60 500 espectadores simultâneos. Segundo dados do Kantar Ibope, o canal pertencente ao Grupo Globo tem crescido sua audiência e registrou média de 0,28 ponto numa medição de 24 horas, atraindo mais de 2,8 milhões de pessoas em 19 de julho, performance 362% superior ao segundo colocado, a Jovem Pan News, por sua vez identificado com perfil de direita. Ou seja, a GloboNews atrai mais público, mesmo com a percepção detectada pela pesquisa, ou talvez por causa desta percepção.
Não há dados públicos sobre a audiência específica de telejornais. Fontes como Kantar Ibope medem apenas a audiência consolidada da GloboNews como um todo. Entretanto, em momentos de grande repercussão, como a cobertura da operação da Polícia Federal envolvendo Jair Bolsonaro no final de julho, reportagens afirmam que o “Conexão GloboNews”, apresentado por Daniela Lima, atingiu picos de 1 ponto no Painel Nacional de Televisão (PNT) da TV por assinatura, um número muito superior à média do canal.
O programa mais assistido da Jovem Pan News, por sua vez, é “Os Pingos nos Is”, atração que já abrigou militantes da extrema direita e mantém-se estigmatizado como não neutro.
William Bonner também é visto como “esquerdista”
No contexto da reformulação, Daniela Lima teria sido identificada como um dos principais focos das críticas, por sua postura considerada progressista em análises e comentários irônicos. Mas será que isso não vale também para o garoto-propaganda do jornalismo da Globo, William Bonner? Basta uma busca rápida no X para verificar que o principal apresentador do “Jornal Nacional” também sofre dessa mesma percepção. Ataques de Bolsonaro ao editor-chefe reforçam essa narrativa de antagonismo.
Globo tem confronto histórico com Bolsonaro
No documentário sobre os 100 anos do grupo Globo, “O Século do Globo”, exibido em julho, João Roberto Marinho, presidente do Conselho Editorial e do Grupo Globo, fez um balanço das relações entre a emissora e os últimos quatro presidentes da República e revelou só ter tido problemas com Bolsonaro. “Nunca imaginamos passar por isso, pelo nível de coisas que aconteceram”, disse. No momento mais tenso do embate, Bolsonaro ameaçou até caçar a licença da emissora.
Marinho criticou especialmente o ataque público de Bolsonaro à jornalista Mirian Leitão, que foi presa e torturada durante a ditadura militar: “O que ele fez com ela, debochando desse momento da vida dela e tal, foi uma coisa assim, completamente inaceitável e que mostra uma desumanidade da parte dele. Assim, é uma pessoa que fico pensando, nossa, que pessoa é essa?”, criticou, a respeito do episódio em que Bolsonaro afirmou ter pena da cobra que foi colocada no local em que Miriam, grávida, ficou presa durante a ditadura.
Bolsonaristas jamais mudarão de opinião sobre a Globo, independente de quem apresentar as notícias.
Canal prepara mais mudanças
Com a pesquisa em mãos, a direção da GloboNews ignorou audiência e histórico político para implementar mudanças. Um dos primeiros sinais foi a criação do programa semanal “GloboNews Debate”, apresentado por Julia Duailibi, com objetivo de ampliar a diversidade de vozes nas análises. Além de ajustes editoriais, estão previstos novos formatos e cenários, visando celebrar os 30 anos do canal em 2026.
Com as mudanças, a GloboNews pode ficar mais parecida com a rival do 2º lugar, aparentemente para disputar audiência com um canal 362% menos visto. Seja quais forem as mudanças editorais, dificilmente alterarão um milímetro na percepção dos bolsonaristas sobre o canal. A audiência atual, porém, pode sofrer alterações.
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