Conhecida como aquamação, a tecnologia funerária é apontada como alternativa mais ecológica à cremação e ao enterro tradicional e começa a despertar debates sobre regulamentação e cultura.
Tanque de aquamação: alternativa verde para o ciclo final da vida (Foto: Instagram) © Foto: Instagram
Uma técnica pouco conhecida do grande público começa a chamar atenção no setor funerário e no debate ambiental. Trata-se da aquamação, também chamada de hidrólise alcalina, um método que utiliza água aquecida e compostos químicos para acelerar a decomposição do corpo humano, dispensando o uso de fogo ou o sepultamento em cemitérios.
No procedimento, o corpo é colocado em um tanque metálico pressurizado com água e uma solução alcalina. A mistura é aquecida e, em algumas horas, ocorre uma reação química que dissolve os tecidos orgânicos. Ao final do processo, permanecem apenas os fragmentos ósseos, que são secos e transformados em cinzas, posteriormente entregues à família — de forma semelhante à cremação tradicional.
Especialistas apontam que a aquamação pode trazer vantagens ambientais importantes. Enquanto a cremação convencional utiliza temperaturas superiores a 800 °C, liberando gases na atmosfera, a hidrólise alcalina funciona com temperaturas bem menores e consome menos energia.
Outro fator considerado positivo é a redução da emissão de substâncias potencialmente tóxicas. A cremação por fogo pode liberar mercúrio presente em obturações dentárias, algo que não ocorre na aquamação porque o processo não envolve combustão.
Durante o procedimento, os tecidos se transformam em um líquido composto basicamente por aminoácidos, sais e açúcares. Esse material passa por tratamento antes de ser descartado, seguindo normas ambientais para evitar contaminação.
Apesar das vantagens apontadas por especialistas, a técnica ainda enfrenta desafios para se expandir. A adoção depende de legislação específica em cada país ou região, além da aceitação cultural e religiosa da população.
Em alguns lugares onde o método já foi autorizado, funerárias começaram a oferecer a aquamação como uma opção ao lado da cremação tradicional. A tendência, segundo profissionais do setor, é que o debate sobre métodos funerários mais sustentáveis ganhe força nos próximos anos.
Nome técnico: Hidrólise alcalina
Passo a passo do processo:
- 1. Preparação: o corpo é colocado em uma câmara de aço inoxidável.
- 2. Solução química: adiciona-se água e compostos alcalinos, geralmente hidróxido de potássio ou sódio.
- 3. Aquecimento: a mistura é aquecida a cerca de 150 °C sob pressão controlada.
- 4. Decomposição: os tecidos orgânicos são dissolvidos pela reação química.
- 5. Restos ósseos: os ossos são secos e transformados em um pó semelhante às cinzas da cremação.
Impacto ambiental:
- Consumo de energia menor que o da cremação
- Redução na emissão de dióxido de carbono
- Não libera mercúrio das obturações dentárias
Tendência mundial
A aquamação já é utilizada em alguns países, especialmente nos Estados Unidos, Canadá e partes da Europa, além de ser comum em serviços funerários para animais de estimação.
Com o aumento das preocupações ambientais e a falta de espaço em grandes cidades para novos cemitérios, especialistas avaliam que métodos funerários alternativos devem ganhar cada vez mais espaço no futuro.
O avanço da técnica, no entanto, ainda divide opiniões. Enquanto ambientalistas defendem a alternativa como mais sustentável, setores religiosos e culturais discutem os limites éticos e tradicionais desse novo modelo de despedida.


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