MAV - Movimento água é Vida: Foto: Redes Sociais - Reunião que produz ideias
O Brasil é um verdadeiro celeiro de boas intenções e projetos revolucionários quando o assunto é o meio ambiente. De pequenos grupos comunitários a grandes institutos de pesquisa, existem milhares de iniciativas espalhadas de norte a sul do país. No entanto, quem acompanha o setor conhece de perto uma realidade dolorosa: a descontinuidade. Um projeto ambiental nasce, gera resultados incríveis, mas desaparece quando a verba acaba ou quando muda a gestão política.
É justamente para furar essa bolha do isolamento e da fragmentação que nasce o PRONISA – Programa Nacional de Incentivo à Sustentabilidade Ambiental. Ideado em Feira de Santana, na Bahia, o projeto propõe algo inédito: em vez de criar novas leis ou inventar a roda, ele chega para ser o "elo perdido" que conecta, fortalece e dá vida longa às ações que já existem e dão certo.
O Diferencial: Por que o PRONISA fura a bolha?
Para entender o impacto do PRONISA, vale um comparativo simples com o modelo tradicional de preservação que temos hoje no Brasil.
| Modelo Tradicional de Projetos Ambientais | A Proposta Inovadora do PRONISA |
Atuação Isolada: Projetos funcionam como "ilhas", sem conversar entre si | Rede Permanente: Integração nacional entre setor público, privado, ONGs e universidades |
Vulnerabilidade: Dependência de repasses temporários; alto risco de extinção | Fortalecimento Institucional: Foco em capacitação, assessoria técnica e captação de recursos perenes |
Substituição: Novas gestões costumam criar novos programas e engavetar os antigos | Complementaridade: Não substitui o que existe; potencializa os investimentos já feitos |
A mente por trás dessa engenharia social e ecológica é Gilvan de Jesus. Unindo sua visão analítica como Profissional de Tecnologia da Informação à sua experiência prática como membro diretor do MAV (Movimento Água é Vida), tradicional organização ambiental de Feira de Santana, Gilvan percebeu que o maior gargalo da sustentabilidade não era a falta de ideias, mas a falta de conexão sistêmica.
Gilvan de Jesus - Em seção solene na Câmara municpal de Feira de Santana representando a AREFAS Associação dos Reservistas do Exército em Feira de Santana - Fotto: Instagram
Entrevista Exclusiva: Gilvan de Jesus Conversamos com o idealizador do PRONISA para entender os detalhes da proposta e como ela pretende revolucionar o cenário legislativo nacional.
TV Povão: Gilvan, como a sua bagagem na Área de Tecnologia da Informação influenciou na criação de um projeto voltado para o meio ambiente?
Gilvan: Na TI, nós trabalhamos essencialmente resolvendo problemas de integração de sistemas, eliminação de redundâncias e otimização de fluxos. Quando olhei para o cenário ambiental brasileiro, percebi que o ecossistema sofria do mesmo problema que uma empresa com sistemas desatualizados: muitas iniciativas excelentes operando de forma isolada, gerando perda de dados, de conhecimento e de recursos. O PRONISA foi desenhado com essa mentalidade estruturante, focado em criar conexões eficientes e permanentes.
TV Povão: O projeto deixa claro que não quer substituir o que já existe. Na prática, como o PRONISA vai ajudar aquela pequena ONG ou projeto comunitário que está sem verba?
Gilvan: O PRONISA não é um novo fundo que vai simplesmente distribuir dinheiro. Ele vai atuar no fortalecimento das capacidades dessas instituições. Isso significa oferecer capacitação, assistência técnica, articulação de parcerias e apoio na mobilização de recursos. Muitas vezes, o projeto comunitário tem a solução prática, mas não tem o braço técnico ou jurídico para captar um grande recurso ou se manter ao longo do tempo. O programa entra para dar essa sustentabilidade institucional.
TV Povão: Quais são os 5 eixos estruturais do programa e por que eles foram escolhidos?
Gilvan: Escolhemos a Biodiversidade, Recursos Hídricos, Economia Circular, Mudanças Climáticas e Educação Ambiental. Eles foram definidos porque cobrem as dimensões mais críticas e urgentes do nosso tempo. Além disso, eles dialogam diretamente com as principais diretrizes internacionais, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e o Acordo de Paris. Tratar esses temas de forma integrada permite uma resposta sistêmica aos desafios ambientais.
TV Povão: Como funcionará o modelo de governança do PRONISA para garantir que ele não se torne mais uma estrutura burocrática?
Gilvan: A governança foi desenhada de forma descentralizada e colaborativa, dividida em quatro instâncias: Comitê Estratégico, Coordenação Executiva, Comitês Técnicos e uma Rede de Parceiros. O objetivo é garantir o equilíbrio entre o planejamento e a execução, mantendo as portas abertas para a participação da sociedade civil, cientistas e setor privado. A transparência e o foco em resultados são as chaves para evitar a burocratização.
TV Povão: Qual é o principal legado que você espera que o PRONISA deixe para as próximas gerações do Brasil?
Gilvan: O grande legado pretendido é a consolidação de uma Rede Nacional Permanente de Sustentabilidade Ambiental. Queremos que, no futuro, a preservação do meio ambiente não dependa de humores políticos ou de projetos sazonais. O legado será um ambiente institucional seguro, onde o conhecimento acumulado não se perca e as soluções ecológicas possam ser replicadas em escala nacional.
TV Povão: O projeto tem um enorme "Potencial de Interesse Legislativo". Como você pretende fazer para que essa proposta saia do papel e chegue, de fato, ao Congresso Nacional?
Gilvan: A proposta foi desenhada com grande flexibilidade jurídica justamente para facilitar o debate legislativo. Ela pode ser acolhida como um Projeto de Lei para a criação de uma Política Pública Estruturante, um Sistema de Cooperação ou um Instrumento de Articulação Federativa. Nosso plano de ação agora envolve a articulação com frentes parlamentares ambientais, a busca de apoio de deputados e senadores que defendem a pauta sustentável e a mobilização da própria sociedade através do MAV e de redes parceiras para fazer o projeto ecoar em Brasília.
TV Povão: Por ser um projeto de abrangência nacional criado na Bahia, na cidade de Feira de Santana, como você enxerga a importância de descentralizar o debate ambiental do eixo Rio-São Paulo?
Gilvan: É fundamental. O Nordeste e as demais regiões do país possuem realidades ecológicas e sociais riquíssimas, mas que muitas vezes enfrentam barreiras severas de captação de recursos e visibilidade. O PRONISA nasce em Feira de Santana, através do Movimento Água é Vida, mostra que o interior do Brasil tem capacidade técnica e sensibilidade para propor soluções que servem para toda a nação. A sustentabilidade brasileira precisa ter a cara de todo o Brasil.
TV Povão: Para encerrar, qual mensagem você deixa para os nossos leitores que se preocupam com o futuro do planeta, mas às vezes se sentem impotentes diante de tantas notícias ruins sobre o clima?
Gilvan: A mensagem é de esperança ativa. Nós não estamos de mãos atadas. O Brasil já tem a tecnologia, o conhecimento e as pessoas qualificadas para reverter o cenário de degradação ambiental. O que nos falta é coordenação e união de esforços. O PRONISA nasce provando que, quando unimos a precisão da tecnologia com o amor pela natureza que o MAV exercita diariamente, podemos criar caminhos reais para o futuro. Se cada iniciativa local for fortalecida, nós mudamos o país inteiro. O futuro sustentável já existe em pedaços; nós só precisamos conectá-los.


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