A mudança não foi na receita, mas sim uma estratégia tributária. Ao ser classificado como bombom, a multinacional precisava pagar uma alíquota de 3,25% de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) — taxa que chegava a 5% até 2022.
Ao reenquadrar o produto como "wafer" (devido à sua casquinha crocante), a alíquota de IPI cai para zero. Curiosamente, apesar da mudança fiscal, no site oficial da Mondelez, o produto ainda aparece na aba de "bombons", mantendo sua fama popular.
Essa estratégia não é exclusiva da Lacta. Em 2021, a concorrente Garoto fez o mesmo com o clássico Serenata de Amor, que também deixou de ser bombom para virar wafer aos olhos do fisco.
Mas afinal, o que define um bombom?
Com essa confusão de categorias, vale a pena entender a diferença real entre as delícias que encontramos no mercado. O texto original destaca as diferenças técnicas e históricas entre trufas e bombons:
1. O Bombom
Origem curiosa: Surgiu no século XIX em uma farmácia na Bélgica. O dono teve a ideia de cobrir remédios amargos com chocolate preto para facilitar a ingestão. Em 1912, abandonaram os remédios e focaram apenas no doce, recheando-o com avelãs e nozes.
Produção: É feito em moldes com uma fina camada de chocolate (a "casca") e recheado posteriormente.
Recheio: Aceita tudo (licor, geleia, frutas, caramelo) e não precisa ter ganache.
Indústria: Graças à tecnologia, o bombom (que era caro e artesanal até 1940 no Brasil) ganhou escala industrial, tornando-se mais barato e acessível.
2. A Trufa
Origem sofisticada: Disputada entre chefs franceses do final do século XIX, seu nome vem da semelhança física com o cogumelo trufa (um fungo valioso que cresce sob a terra).
A diferença chave: O coração da trufa é o ganache (mistura de chocolate derretido com creme de leite).
Textura: É mais cremosa e artesanal. Tradicionalmente, é apenas polvilhada com cacau, mas ganhou banho de chocolate para durar mais tempo nas prateleiras.
O veredito
Seja wafer, bombom ou trufa, o Sonho de Valsa continua sendo destaque nos mercados e um presente clássico entre os brasileiros. A mudança no rótulo afeta o imposto pago pela empresa, mas, para o consumidor final, o sabor nostálgico de 85 anos de história permanece o mesmo.


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