Protestos contra o governo da Bahia marcam início da semana em Feira de Santana

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Manifestantes protestam contra fechamento de escolas e trancamento de cursos anunciado pelo governo Jerônimo Rodrigues.

Foto: Reprodução: TV POVÃO

A manhã desta segunda-feira foi marcada por protestos em Feira de Santana contra decisões recentes do Governo do Estado da Bahia, comandado por Jerônimo Rodrigues (PT), que anunciou o trancamento de cursos e a desativação gradual de unidades escolares em diversas regiões do estado.

Moradores das comunidades do Feira VII, Sítio Matias, Tomba e Parque Panorama realizaram obstruções parciais de vias públicas como forma de protesto contra a redução da oferta educacional. A mobilização teve como principal alvo a ameaça de fechamento de escolas estaduais consideradas fundamentais para o atendimento da população local.

Escola Georgina Soares vira símbolo da resistência

A Escola Estadual Georgina Soares do Nascimento, localizada na Rua do Salvador, nas imediações do populoso bairro do Tomba, tornou-se o principal palco das manifestações. A comunidade escolar foi oficialmente notificada sobre a desativação gradual da unidade, o que gerou indignação entre pais, estudantes, professores e moradores da região.

Foto: Reprodução: TV POVÃO

O protesto provocou a intervenção do Sistema Municipal de Trânsito e da Polícia Militar, após o bloqueio da principal via de ligação entre os bairros afetados. Obstrução da via e faixas erguidas denunciando o que os manifestantes chamam de “abandono da educação pública”.

O Colégio Estadual Georgina Soares do Nascimento (CGSN) é uma escola tradicional de Feira de Santana, oferecendo Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação de Jovens e Adultos (EJA) e cursos técnicos. A unidade é reconhecida por suas atividades pedagógicas e pela boa avaliação por parte de alunos e responsáveis, o que reforça a revolta diante da possibilidade de fechamento.

Histórico de fechamento de escolas e polêmicas na Bahia

O protesto em Feira de Santana não é um fato isolado. Nos últimos anos, os governos do PT na Bahia acumulam um histórico de fechamento, fusão ou municipalização de escolas estaduais, especialmente no interior e nas periferias urbanas. A justificativa oficial costuma ser o “cumprimento da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB)”, que atribui aos municípios a responsabilidade pelo Ensino Fundamental.

Na prática, porém, pais, educadores e especialistas denunciam que a política tem resultado em:
  • Redução do acesso à educação pública;
  • Superlotação de escolas municipais;
  • Precarização da estrutura educacional;
  • Transferência de custos para municípios já financeiramente fragilizados;
  • Prejuízos à permanência escolar de crianças, jovens e adultos.
Em Feira de Santana, além do Georgina Soares do Nascimento, também são citadas como alvos dessa política o Colégio Estadual Eduardo Fróes da Mota (Baraúnas) e a Escola Estadual Imaculada Conceição (Conceição).

Críticas da comunidade e acusação de “jogo de empurra”

Pais, alunos e lideranças comunitárias afirmam que o governo estadual tenta se eximir da responsabilidade com a educação pública, empurrando para os municípios um ônus que deveria ser do Estado. Para os manifestantes, trata-se de um “jogo de empurra” que penaliza diretamente a população mais pobre.

Vídeo: Reprodução: TV POVÃO
  

Fechar escolas históricas e jogar a conta para os municípios não é modernização, é abandono”, afirmam lideranças do movimento. Segundo eles, a municipalização, da forma como vem sendo aplicada, representa perda de direitos, redução da qualidade do ensino e exclusão da juventude trabalhadora.

Educação como direito, não como mercadoria

Os protestos também carregam forte tom político e ideológico. Para os manifestantes, a política educacional do governo petista na Bahia não se resume a questões legais ou administrativas, mas reflete uma opção de classe, que preserva interesses do mercado e penaliza as periferias.

A educação não é mercadoria, não pode ser tratada como problema de gestão. É direito, é emancipação e é ferramenta de transformação social”, afirmam os participantes do ato.

Mobilização continua

As comunidades prometem manter a mobilização e pressionar o governo estadual para que reveja as decisões, suspenda o fechamento das escolas e garanta investimentos na educação pública.

Os protestos desta segunda-feira deixam claro que o tema continuará no centro do debate político e social na Bahia, especialmente em um estado que, há quase duas décadas sob governos do PT, ainda enfrenta graves desafios na garantia do direito à educação pública, gratuita, democrática e de qualidade.

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