O cenário político da Bahia começa a ganhar novos contornos com a consolidação da aliança entre o ex-prefeito de Salvador ACM Neto e o empresário feirense Zé Chico. O encontro entre os dois, realizado em Salvador, sacramentou um alinhamento político estratégico que projeta não apenas a pré-candidatura de Zé Chico à Câmara Federal, mas também reforça a construção de um palanque robusto para a disputa pelo Governo da Bahia em 2026.
A sinalização pública de apoio de ACM Neto foi direta, enfática e carregada de expectativa eleitoral.
“Eu confesso, estou muito animado com a pré-campanha de Zé Chico. A gente percebe que ele vai ser campeão de votos em Feira de Santana e que vai ter uma grande votação em todo o estado da Bahia.”
A declaração não apenas fortalece o nome de Zé Chico no cenário estadual, como demonstra a confiança de uma das maiores lideranças políticas baianas no potencial eleitoral do feirense.
ACM Neto foi além.
“Zé Chico vai ser uma das grandes vozes do nosso estado no Congresso Nacional. Quem quer mudar a Bahia precisa da força, do apoio e do trabalho dele.”
Do outro lado, Zé Chico deixou claro que seu projeto político está diretamente conectado à tentativa de conduzir ACM Neto ao comando do Executivo estadual.
“Nosso maior objetivo é eleger ACM Neto governador da Bahia. Eu acredito na gestão dele. É um homem que sabe fazer, já provou em Salvador e vai provar na Bahia.”
A fala evidencia uma construção política coordenada: ACM Neto mirando o Palácio de Ondina e Zé Chico buscando ocupar espaço em Brasília como representante de Feira de Santana e região.
Nos bastidores, a movimentação é interpretada como parte da reorganização da direita baiana, especialmente em Feira de Santana, segundo maior colégio eleitoral do estado e peça estratégica para qualquer projeto político estadual.
Caso a articulação avance como esperado, poderá representar o retorno de uma representação política mais robusta desse campo ideológico na região, algo que não acontece há gerações.
Da experiência política ao protagonismo regional
Empresário consolidado, ex-suplente de senador e atual presidente do União Brasil em Feira, Zé Chico reúne bagagem política e administrativa.
Sua trajetória inclui atuação destacada no esporte, especialmente à frente do tradicional Fluminense de Feira, além de participação em articulações políticas que, segundo aliados, já renderam avanços concretos para Feira de Santana.
Agora, no entanto, é uma proposta técnica de alcance nacional que vem colocando seu nome no centro do debate político.
O projeto LEPV (Licenciamento por Evento de Propriedade Veicular) surge como uma bandeira de forte apelo popular por enfrentar um problema que afeta diretamente milhões de brasileiros: a apreensão de veículos por atraso no licenciamento vinculado ao IPVA.
O drama silencioso do trabalhador brasileiro
Para milhares de motoristas de aplicativo, entregadores, autônomos, pequenos comerciantes e trabalhadores que dependem de carro ou moto para sobreviver, existe uma preocupação constante:perder o instrumento de trabalho para o Estado por não conseguir quitar uma cobrança burocrática.
Hoje, o modelo brasileiro vincula a emissão anual do licenciamento ao pagamento integral de débitos, incluindo o IPVA.
Na prática, isso significa que, se o trabalhador atrasa o imposto, o veículo pode ser considerado irregular.
Se parado numa blitz, o carro ou a moto pode ser recolhido ao pátio. A partir daí, o problema se agrava. Taxas de remoção, diárias acumuladas, custos administrativos e novos encargos transformam uma dívida inicial em uma bola de neve. Em muitos casos, o cidadão simplesmente perde qualquer condição financeira de recuperar o veículo.
É justamente contra esse mecanismo que nasce o LEPV. A proposta parte de uma tese simples: o Estado pode cobrar impostos, mas não deve usar o licenciamento anual como instrumento indireto de coerção para retirar do trabalhador seu bem móvel de sustento.
O que o LEPV quer mudar
O projeto propõe substituir o licenciamento anual obrigatório pelo chamado Licenciamento por Evento de Propriedade Veicular, modelo em que a cobrança ocorreria apenas quando houvesse fato administrativo concreto. Na prática, o pagamento aconteceria em situações como:
- primeiro emplacamento;
- transferência de propriedade;
- regularizações administrativas específicas;
- situações excepcionais relacionadas a irregularidades reais de segurança.
Segundo o escopo técnico do projeto , o objetivo não é extinguir o IPVA.
O imposto continuaria sendo cobrado normalmente pelos estados. A diferença está no mecanismo de cobrança.
O Estado seguiria podendo inscrever débitos em dívida ativa, promover cobrança judicial e adotar meios legais de arrecadação.
O que deixaria de existir seria a apreensão automática do veículo por ausência de renovação burocrática anual.
Uma crítica à burocracia digitalizada
O LEPV sustenta que o Brasil mantém uma cobrança pensada para um tempo em que o licenciamento dependia de emissão física, impressão, distribuição e atendimento presencial.Hoje, com o CRLV-e, tudo ocorre digitalmente. Para Zé Chico, isso tornou o modelo atual desproporcional.
A proposta argumenta que o Estado reduziu drasticamente seus custos operacionais, mas manteve uma cobrança anual rígida que continua penalizando milhões de brasileiros.
Outro dado citado no projeto chama atenção: estima-se que cerca de metade da frota nacional esteja com licenciamento atrasado não por má-fé, mas pela incapacidade econômica de manter uma estrutura de cobrança considerada excessiva .
Justiça social sobre rodas
O ponto mais contundente do LEPV está no argumento social. A proposta enxerga o atual sistema como um modelo que atinge desproporcionalmente quem mais precisa do veículo.Quem possui maior renda geralmente regulariza com facilidade. Quem depende financeiramente daquele bem muitas vezes enfrenta a escolha entre pagar contas básicas ou manter a documentação em dia.
É essa realidade que Zé Chico pretende enfrentar politicamente. A leitura do projeto é clara: o veículo deixou de ser, para milhões de brasileiros, apenas patrimônio.
Hoje ele é ferramenta de sobrevivência. Retirá-lo por inadimplência administrativa significa, muitas vezes, retirar a renda da família.
A força política de uma pauta popular
A estratégia é clara: unir discurso técnico, apelo popular e defesa do trabalhador. Essa combinação pode transformar Zé Chico em um nome competitivo para 2026.
Mais do que uma candidatura, o movimento sinaliza uma tentativa de reposicionar Feira de Santana no centro das grandes discussões políticas da Bahia.
Se a aliança entre ACM Neto e Zé Chico mantiver o ritmo atual, o projeto LEPV pode se tornar não apenas uma proposta legislativa, mas uma das principais bandeiras eleitorais do novo ciclo político que começa a se desenhar no estado.


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