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Traficante preso na Europa pode receber R$ 1,3 milhão do Estado e decisão da Justiça gera revolta

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Conhecido como “Escobar brasileiro”, ex-PM Sérgio Roberto de Carvalho teve aposentadoria reconhecida pela Justiça mesmo após condenações e prisão por tráfico internacional

Sergio Roberto de Carvalho, conhecido como 'Pablo Escobar brasileiro', foi preso em Budapeste — Foto: GERGELY BESENYEI/AFP

Por Redação – TV Povão

Uma decisão da Justiça de Mato Grosso do Sul voltou a provocar indignação nas redes sociais e reacendeu o debate sobre privilégios e falhas do sistema judicial brasileiro.

O ex-policial militar Sérgio Roberto de Carvalho, conhecido como “Escobar brasileiro”, pode receber R$ 1,3 milhão em aposentadorias atrasadas pagas pelo Estado, mesmo estando preso na Europa acusado de comandar um esquema internacional de tráfico de drogas.

A decisão foi assinada pelo juiz Marcelo Andrade Campos Silva, da 4ª Vara de Fazenda Pública de Campo Grande, que determinou o pagamento do valor por meio de precatório.

O processo teve início em 2015 e discutia valores de aposentadoria que teriam deixado de ser pagos ao ex-major entre 2011 e 2015.

Inicialmente, o valor era de cerca de R$ 516 mil, mas com correções monetárias e atualização judicial, o montante ultrapassou R$ 1,3 milhão.

Ex-PM virou alvo internacional do narcotráfico

Antes de ganhar notoriedade internacional no crime organizado, Sérgio Roberto de Carvalho atuou como comandante da Companhia de Polícia de Trânsito da Polícia Militar de Campo Grande.

Ele já havia sido preso nos anos 1990 transportando cocaína. Mesmo após condenações, continuou recebendo aposentadoria paga pelo governo estadual por vários anos.

Em 2018, foi oficialmente expulso da Polícia Militar, após decisão judicial definitiva.

Além disso, ele também foi condenado por usar empresas de fachada e “laranjas” para movimentar cerca de R$ 60 milhões.

Prisão na Europa e carga milionária de cocaína

O ex-major foi preso em 2022 em Budapeste, capital da Hungria, após uma investigação internacional.

Autoridades europeias apontam que ele seria responsável por coordenar o envio de grandes carregamentos de cocaína da América do Sul para o continente europeu.

Entre os casos investigados está a apreensão de 1,7 tonelada de cocaína em um navio na região da Galícia, na Espanha.

A droga foi avaliada em aproximadamente 60 milhões de euros, o equivalente a mais de R$ 300 milhões.

Suposta morte e suspensão da aposentadoria

O pagamento da aposentadoria chegou a ser suspenso pela Agência de Previdência Social de Mato Grosso do Sul (Ageprev).

Isso ocorreu porque surgiram notícias de que o ex-major teria morrido, além da ausência da chamada prova de vida, exigida para beneficiários da previdência.

Posteriormente, a defesa contestou a suspensão e a disputa foi parar na Justiça, resultando na decisão atual que garante o pagamento retroativo.

Ministério Público tentou impedir pagamento

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul tentou barrar a ação e pediu a extinção do processo, mas o juiz entendeu que a decisão anterior já havia transitado em julgado e deveria ser cumprida.

Mesmo assim, existe outra decisão judicial que determinou o sequestro do valor, o que pode impedir que o dinheiro chegue diretamente ao ex-policial.

Revolta nas redes sociais

A possibilidade de um traficante internacional receber mais de R$ 1 milhão de dinheiro público gerou forte repercussão nas redes sociais.

Para muitos brasileiros, o caso reforça a sensação de injustiça e de que o sistema acaba beneficiando criminosos enquanto cidadãos comuns enfrentam dificuldades para garantir direitos básicos.

Opinião – Quando a Justiça gera indignação

A decisão pode até estar baseada em regras legais e em uma sentença já transitada em julgado, mas para a população a percepção é outra.

Enquanto trabalhadores passam anos tentando conseguir aposentadorias modestas ou aguardam decisões judiciais por direitos básicos, um criminoso acusado de movimentar toneladas de drogas no exterior consegue garantir um pagamento milionário.

E é justamente aí que nasce a revolta popular.

Quando casos como esse vêm à tona, muitos brasileiros passam a acreditar que o crime compensa — uma percepção perigosa que corrói a confiança nas instituições e alimenta o descrédito no sistema de justiça.

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